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Início das obras da UHE Baixo Iguaçu é marcado por conflito regional no Paraná

Agricultores devem sair de suas terras com indenização irrisória, a contragosto. As lavouras estão sendo colhidas as pressas para não perderem o investimento.

O belo Rio Iguaçu será represado pela sétima vez. Foto: Joka Madruga / Terra Livre Press

Situada na região da Fronteira do Estado do PR no Rio Iguaçu, abrangendo os municípios de Capanema, Capitão Leônidas Marques, Planalto, Realeza e Nova Prata do Iguaçu a Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu de concessão da multinacional Neoenergia, tem seu inicio marcado por forte tensão e conflito regional.

As obras já iniciaram nas margens do Rio Iguaçu. Foto: Joka Madruga / Terra Livre Press

Licenciada pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa do Estado, sob argumento de ser uma obra de interesse social e de desenvolvimento no contexto regional onde esta sendo instalada, o cenário é outro. Mais de 350 famílias vivem momentos de angustia e incerteza, pois podem perder suas terras a qualquer momento e não existe um acordo sobre relocação ou indenização.

Alguns atingidos relataram que a produção de milho tem sido colhida antes do tempo, para não perderem o investimento já feito. Abriram cercas e mandaram prender o gado. E alguns colonos têm reclamado de terem recebido ordem para sair de suas casas em 24 horas.

Tudo que João Pereira dos Santos queria era ficar perto dos amigos. Foto: Joka Madruga / Terra Livre Press

Uma das terras mais produtivas do estado produz arroz, feijão, soja, milho, gado, e a empresa alega que é uma terra de lajes. “Nós temos estradas boas, cascalhadas e disseram que não temos como se locomover. Como eles trouxeram os maquinários? De helicópteros é que não foi”, afirma João Pereira dos Santos, morador há 12 anos em Capanema e que lamenta por ter que deixar os amigos.

Indenizações

Sr. Milton: depois de 50 anos, será expulso de sua terra. Foto: Joka Madruga / Terra Livre Press

Segundo os agricultores, os preços indenizatórios chegam ser menos da metade do valor real. Tem sido ofertado 66 mil reais para propriedades que valem mais de 120 mil reais. “Não somos contra a barragem, mas queremos justiça nas indenizações, queremos que a justiça faça algo por nós. A oferta deles nos humilha, é muito baixa”, diz Milton Sadi Dallago, morador há mais de 50 anos na beira do rio, em Capanema.

A barragem

A Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu terá capacidade para gerar mais de 350 megawatts (MW) e poderá abastecer aproximadamente 1 milhão de consumidores. Serão três turbinas. A altura será de 22 metros e 410 metros de extensão. A área do reservatório está previsto para 31 km quadrados, atingindo mais de 350 famílias de agricultores. É a sétima barragem a ser construída no Rio Iguaçu.